Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade...

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade


Gostei muito desse texto resolvi postar ai pra galera rock'n roll do domingo
Por Doug : )

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terça-feira, 16 de março de 2010 Posted in | | 1 Comments »

Não existe outra palavra pra definir o ensaio do dia 29. Redescobrimos os nossos outros sentidos, já que perdemos a visão. Literalmente aprendemos a "confiar no outro de olhos fechados". Passear pelo espaço.
Onde será que eu estou? Que lugar é este? E o cheiro, e o som, daonde vem?


Depois, o oposto. Agora é guiar pelo espaço. Vou por ali, e agora por aqui. Esse lugar parece legal e opa! cuidado pra não tropeçar!
O que será que você sente? Onde você imagina que está?


Hora de voltar. Perco a visão novamente. Música, som. Novas perguntas:
Quem sou eu? O que é isso? Onde eu estou?!
E depois: o silêncio. Nada mais se passa na cabeça, nada mais é questionado.


De repente, o toque. Cheiro. Pele. Outro ser.
Comunicação sem palavras. Somos um grupo agora, pensamos (sem pensar) como um.


Um chamado para um ritual. Uma fila, um presente. Uma roda e muitas palavras.
Um liquido doce, mas marcante.


Gotas caem do céu e me molham. Tem um cheiro agradável. A água é aconchegante, apesar de gelada.
Barulho. Chão e algo gelado, como metal. Tem água ali dentro!
Agua pra cima, agua nos outros. Risadas.


Já posso ver de novo! Mas ainda está escuro. Tem gente pra brincar, pra cuidar, pra afastar. Gente pra lá, pra cá, de um jeito, de outro.


O grupo novamente, voltando a realidade, ainda no escuro.
Uma breve conversa e pronto, acendem-se as luzes.


Sou eu de novo. Encharcada e cansada, mas enxergando (depois de uma breve cegueira devido a luz).


Troquei de roupa, vamos jogar passa palma de novo, pra integrar.
Depois, massagem em dois colegas que fizeram aniversário e uma dança indígena.


Agora sim, voltamos pra casa.
Se somos os mesmo?


Daqui do meu lado, eu digo que não.

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domingo, 7 de março de 2010 Posted in | | 0 Comments »

Fica muito complicado tentar descrever em palavras o que aconteceu nesse encontro incrível.
Mas vou tentar.
Aqueceimento com Alessa,tecnicamente bom,particularmente ja havia feito com vendas nos olhos,e adoro.
No começo do aquecimento mais pessoas entram na roda,pessoas novas,foi ali o primeiro contato com elas.
As vendas são colocadas no final do aquecimento e é aí que toda a magia começa tomar conta de cada um.
Confiança,é a palavra que usamos para começar esse exercício,formamos duplas,na qual um deve confiar no outro como guia.
Através dos olhos do meu companheiro sou guiada,em alguns momentos,confesso parecer estar em outro lugar sem a percepção
da visão começo a sentir o espaço de uma outra forma.Quando achava que estava em certo lugar do teatro algum detalhe me
fazia perceber,que era o oposto de onde imaginava estar.Minha vez de guiar.Tiro as vendas e começo,
tento levar meu companheiro aos lugares mais divertidos e inimagínaveis,o primeiro lugar em que o levei foi no banheiro e sussesivamente,
o exercício foi acontecendo então Diego aproveita e começa a convivência,pede que todos voltem ao palco e vendem os olhos.Realmente foi aí que começou a diversão,quando imaginava
que não poderia ficar melhor,sou pega de surpresa.Música no ar.Individualmente começamos a nos sentir,deitamos,andamos,nos tocamos.Enquanto
as músicas vão tocando.Nesse momento transitamos no espaço e como homens da caverna não podendo falar começamos a nos tocar,cada detalhe é curioso,
cabelo,mãos,pernas,o cheiro,tudo parecia novo.Um grupo é formado,sem saber quem é quem,estamos num momento muito bonito do exercício,naquele momento regras que a
sociedade nos impõe são destruídas.Vozes surgem,fazendo sons incomprencíveis,mas ali ja conseguimos compreender e saber o que o outro quer dizer,
pois estamos muito concentrados no exercício e,de uma certa forma surge uma comunicação entre nós.Então formamos uma fila,e uma bebida muito poderosa,começa a ser distribuída. 
Tentamos sentar em roda,e bebemos.Após definir o sabor e sentir os efeitos da bebida que acavámos de tomar,transitamos mais uma vez pelo espaço.Sinto que o chão estav molhado,pensei
que alguém havia derrubado o chá no chão,e mais uma vez me surpreendo com um objeto no meio do palco,uma bacia cheia de água,no momento que lavo minhas mãos,sinto outra na mesma bacia,
procuro mais pessoas para lavar as mãos.Pingos de água são jogados para cima acertando várias pessoas.Acabávamos de descobrir água.Como uma comemoração,começamos a jogar água uns nos outros.
Diego começa a tirar as vendas.Mas mesmo assim o teatro estava com as luzes apagadas.Voltamos a ser crianças e a brincar naquela grande poça de água que se formou no placo.
A criatividade floresce.Quando o exercicío acaba,trocamos de roupa e começamos a finalizar o encontro.Zipzipzip,zapzapzap,zummmm,RANDO. E uma dança indigína finaliza o encontro.

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Estranhamento, tato, entrega. Essas palavras (e digo num bom sentido) ajudam a definir e compreender o que foi o encontro do dia 28.
Iniciamos com um aquecimento direcionado pela Alessa, depois partimos pra uma ação com vendas. Em duplas, um com venda, e o outro guiando, redescobrimos e exploramos o espaço. Depois, separamo-nos e começamos a transitar pelo espaço, sozinhos, sem guia. Transitar e brincar com o corpo e a música que dava o tom do momento. Nessas voltas, esbarrávamos em mãos, pés, braços alheios. Começavam ali os primeiros toques com o alheio e ainda assim semelhante. Redescobrimos também o toque, como algo mais primário, sensitivo, nos olhávamos com as mãos. Aos poucos, foram surgindo sons, também bastante primários, o que lançou uma tendência à não verbalização, nada muito civilizado. Apenas sons que se comunicavam algo, certamente não o faziam na nossa língua ou em outra deste mundo.
Particularmente, esse foi o momento que mais gostei do encontro, quando as pessoas, àquela altura, as criaturas foram se agrupando, ficando mais perto, se tocando e se reconhecendo, emitindo sons, brincando de todas as formas. Sensações místicas, ritualísticas, primitivas permeavam o ambiente e ficaram ainda mais marcadas quando o elemento água, que era o centro do encontro, foi inserido.
Primeiro, fomos conduzidos exatamente como se se tratasse de um ritual, e por que não? Enfileirados (suponho) e ainda de olhos vendados, recebemos um presente, um “espírito” novo, do qual havíamos de cuidar. Era morno, num copo e cheirava bem, um aroma doce, natural. Tentamos sentar em círculo, e depois de dadas as instruções sobre o líquido, bebemos. Cada um tinha um diferente, pelo que nos foi contado. Até agora não sei identificar o meu. Tinha gosto de misticismo, de magia e coisa antiga. Continuamos a explorar o corpo e o espaço, até que senti pingos em mim, algo como um perfume. Mas no estado em que me encontrava, acabei lidando de uma forma mais lúdica do que se lida com um perfume no dia a dia. 
Em algum momento, que não sei identificar, ouvi barulho de água caindo e pessoas rindo, crescendo, crescendo. Achei que fosse a música, mas aí realizei que era mesmo aquilo que estava acontecendo.
Ouvindo, parecia muita água... Quase não me molhei, acabei aproveitando mais a “brincadeira” quando me removeram a venda. Alguns bastões haviam entrado no esquema e passeavam por entre as mãos dos atores-seres-criaturas.
Depois, ligaram-se as luzes, fomos voltando à condição racional que nos é própria e cotidiana. Encerramos o encontro com um zip-zap-zoom (mais fraco do que o do primeiro encontro, mas há de se perdoar, muitas emoções para o mesmo dia...) e depois com uma música e dança chamada Toré. 

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quarta-feira, 3 de março de 2010 Posted in | | 0 Comments »

Encontro dia 29/02

Então o encontro do dia 29 pra mim foi muito místico não sei sabe, bom tudo começou com o aquecimento da Alessa no qual ela disse algumas palavra que foram muito importantes e algumas delas como a que nós somos um ser transcendental que tem o deve de cuidar e lapidar o corpo do ator estão fazendo muito sentido dentro de mim e me fizeram pensar muito nesses dias, após o aquecimento rolou uma atividade com venda, em que nós fomos guiados pelo espaço sem senso de direção algum nada só pelo companheiro do grupo o que foi muito bom, adorei essa parte e então nós ficamos cegos por conta própria no escuro, confesso a vocês que a partir dai não fiquei muito a vontade, pois tenho certa fobia e escuro, mas sobrevivi, né.
Nós nos tocamos andamos tocando o espaço engatinhando, quando fui surpreendido por uma água de cheiro que ficou me perseguindo, tentei fugir até que fui deparado a uma bacia com água onde tinham mais pessoas, no começo o povo estava bem de leve com a água até que alguém jogou água pro alto, ai saio do controle, nos ensopamos foi muito bom, não sabia quem era, jogava água pra cima e tudo mais até que chegou ao ápice da cegueira, fomos todos guiados a um ritual surreal no qual recebemos o presente mais sagrado do MUNDO o meu era doce, liquido com um cheiro bom, cheiro de erva doce, era um espírito novo, para que nós pudéssemos recomeçar, então a cegueira cessou, os olhos pouco viram, ainda estava escuro, algumas sobras corriam com bastões a fonte de água no qual nos divertimos secará e tudo estava alagado, senti um pouco de medo do escuro, nenhuma palavra foi dita, um tigre surgia o qual foi ensinado a andar e comunicar-se a musica ecoava no ouvido de todos nós, começamos a regredir e unir, uma brincadeira de roda acontece nos damos um nó! As luzes se acendem os olhos doem e voltamos todos ao mundo real
Ao fim trocamos todos de roupa, pois estávamos ensopados pela enchente que abateu-se sobre nosso mundo paradoxal, nos organizamos, algumas considerações finais e a volta completa para o mundo real.

Por Douglas Auchewski

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terça-feira, 2 de março de 2010 Posted in | | 0 Comments »

Aqui vão os primeiros textos e impressões sobre o grupo, através de alguns dos atores:

Participantes: pronunciai os que participaram, pois infelizmente e por minha culpa não lembro o nome de todos =P

Esse é o relatório cru, sem graça pra caramba e ultra técnico. Vai lá:

Tópicos abordados:

- Apresentação (uhul!)
Bom, todo mundo se apresentou, falou do que gostava, do que não gostava, sonhos, medos, frustrações, um pouquinho da sua vida e que tipo de projetos gostaria de participar. O relatório vai ser bem assim mesmo, porque o Diego deve ter anotado as coisas importantes do que cada um disse.

Passamos duas horas conversando, foi legal, agente riu um bom bocado. OK, depoois da longa conversa, teve o aquecimento íntegro-desconstrutivo (pra integrar, desconstruir e principalmente desenferrujar o povo) e em seguida o passa-palma.

- O Passa-Palma
Pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá pá...
Zip zip zip zip zip zip zip zip zip zip... zap zap zap zap zap zap zap zap zap zap zap...
Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum RANDOOOOOO!!!

Esse exercício mostrou uma coisa pra mim e eu fiquei muito impressionado com o que eu vi. Em nenhuma turma (do Pé), o Passa-Palma foi tão fluído como dessa vez, e isso no primeiro dia de aula. Parece que o grupo tem uma conexão e energia diferente... algo mais concreto, mais forte =)

Jogamos o Passa-Palma depois com emoções, cada um na sua, todo mundo em alguma, emoções diferentes permearam a roda e fizeram com que o eu ator de cada um se revelasse um pouco (to esperando pra ver mais disso ainda), apesar de quebrar um pouco a fluidez, dessa vez pudemos treinar um pouco nossa criatividade e percepção (várias vezes alguém propunha algo e os demais atores correspondiam).  

- O Passa-Bastão
Esse exercício é meio masoquista... mas é bacana. Todos a mil o tempo todo, tendo que olhar pra frente e pra trás na mesma hora. Depois de muitas bambuzadas na cabeça, o jogo rolou mais legal (afinal, bambus doem). Jogamos com emoções depois e fizemos até uma cena com eles: tivemos que prestar atenção no público, que agora "existia" lá na frente e tivemos até que encerrar de uma maneira digna de um espetáculo.

Acredito ser isso. Para alguém que goste de escrever, proponho o seguinte: fazer outro texto da aula que passou, um texto mais lúdico, mais fantasioso, como o Diego falou no começo do ensaio. E assim a bola vai passando pra que cada pessoa tenha a oportunidade de escrever sobre a experiência, de forma técnica (como feito agora) e de uma forma mais mágica.

Rafael Lima.


Primeiro encontro é quase sempre sinônimo de frio na barriga, já que não se sabe o que está por vir. O nosso foi de troca de experiências e, num panorama geral, primeiros contatos. Depois, primeiras sensações, prenúncios do que um grupo feito de pessoas com vontade e energia pode fazer.
Ótimo perceber os interesses que se cruzam, se completam e que realizaremos pelo caminho, já que como disse o poeta Antonio Machado: caminhante, não há caminho, se faz o caminho ao andar.
Depois da troca de palavras, foi a vez de aquecer e acordar o corpo, colocá-lo mais em contato com o espaço, começar a quebrar as barreiras do cotidiano. Em roda, iniciamos um jogo fácil, mas que exige atenção e agilidade: o passa-palma, que de forma mais lúdica, chamo de “zip-zap-zoom”. Apesar disso, notou-se que já havia uma ligação entre o grupo, o que fez o jogo fluir bastante bem e rápido. Em seguida, colocamos emoções na maneira de passar a palma para o colega, o que deixou o jogo mais denso e divertido.
Mais tarde, já com as mãos um pouco mal-tratadas de tantas palmas, iniciamos uma “brincadeira” com o bastão. Esta, já começa com tudo, o que se justifica pelo nível em que nos encontrávamos àquela altura do encontro. O exercício consistia em vários bastões rodando ao mesmo tempo, sendo trocados pelos atores, enquanto se movimentavam pelo espaço. Inserimos emoções num segundo momento, e depois demos um fechamento com tom de espetáculo. Enfim, divertido e por vezes doloroso.
Quanta coisa pra um primeiro encontro, hein?
Gosto de pensar que esse é só o início de uma jornada de conhecimento, profundidade e realizações, que já começa permeada de sintonia, suor e palmas. Assim, arregacemos as mangas, demos as mãos e nos entreguemos.

Amanda Leal.

No encontro passado nós membros do grupo de domingo nos apresentamos uns aos outros, demos algumas risadas com as historias contadas por cada um dos membros do grupo, falamos em geral
sobre quem somos o que gostamos e o que gostariamos de ser.
Após essa dinamica de apresentações o Diego propôs um exercicio de Passa Palma no qual nós
trabalhamos nossa concentração e agilidade, não sei explicar muito bem como a coisa rolou,
mas no começo nós não estávamos conseguindo ter uma boa sequencia no jogo, porém após algumas
tentativas rolou bem legal
Pra finalizar nós jogamos um jogo bem psicodélico ao meu ver que é o passa bastão, no qual o
objetivo também era trabalhar a concentração, o jogo consiste em você andar pelo palco jogando
no ar o bastão para outra pessoa, que se não estive ligada pode levar uma paulada na jugular,
sei lá eu gosto desse jogo é divertido mas ele deixa bem cansado na real, fiquei um pouco fatigado depois do jogo. 
 
Doug Auche.

O primeiro real contato com o grupo foi quando sentamos em roda e começaram as apresentações. Foi ali que comecei a sacar cada pessoa, com o pouco que ouvi.
Com certeza temos muito tempo pela frente para nos conhecermos. Gosto do grupo. Acredito também que precisamos de mais pessoas nele. Ainda é muito cedo para concretizarmos algo, mas pelo primeiro encontro, nos jogos, o grupo demonstrou energia.
Quanto ao nome do grupo caso ninguém tenha algo em mente, acredito que ele vai surgir em algum momento, derrepente até mesmo no meio de algum ensaio.O nome do grupo é de extrema importância e deve ter um significado.Os projetos são bastante interessantes,o social concerteza chamou bastante atenção.Se depender de mim os projetos sairão do papel.
Estou animada com o grupo, participar de festivais para mim são objetivos, que quero muito atingir. Sempre estar inovando os encontros é importante e creio que o Diego vai saber lidar com isso pelo que demonstrou.
Para ser sincera não vejo a hora de começarmos as montagens, mais vamos com calma.
 
Keila Aquino de Freitas.


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