Estranhamento, tato, entrega. Essas palavras (e digo num bom sentido) ajudam a definir e compreender o que foi o encontro do dia 28.
Iniciamos com um aquecimento direcionado pela Alessa, depois partimos pra uma ação com vendas. Em duplas, um com venda, e o outro guiando, redescobrimos e exploramos o espaço. Depois, separamo-nos e começamos a transitar pelo espaço, sozinhos, sem guia. Transitar e brincar com o corpo e a música que dava o tom do momento. Nessas voltas, esbarrávamos em mãos, pés, braços alheios. Começavam ali os primeiros toques com o alheio e ainda assim semelhante. Redescobrimos também o toque, como algo mais primário, sensitivo, nos olhávamos com as mãos. Aos poucos, foram surgindo sons, também bastante primários, o que lançou uma tendência à não verbalização, nada muito civilizado. Apenas sons que se comunicavam algo, certamente não o faziam na nossa língua ou em outra deste mundo.
Particularmente, esse foi o momento que mais gostei do encontro, quando as pessoas, àquela altura, as criaturas foram se agrupando, ficando mais perto, se tocando e se reconhecendo, emitindo sons, brincando de todas as formas. Sensações místicas, ritualísticas, primitivas permeavam o ambiente e ficaram ainda mais marcadas quando o elemento água, que era o centro do encontro, foi inserido.
Primeiro, fomos conduzidos exatamente como se se tratasse de um ritual, e por que não? Enfileirados (suponho) e ainda de olhos vendados, recebemos um presente, um “espírito” novo, do qual havíamos de cuidar. Era morno, num copo e cheirava bem, um aroma doce, natural. Tentamos sentar em círculo, e depois de dadas as instruções sobre o líquido, bebemos. Cada um tinha um diferente, pelo que nos foi contado. Até agora não sei identificar o meu. Tinha gosto de misticismo, de magia e coisa antiga. Continuamos a explorar o corpo e o espaço, até que senti pingos em mim, algo como um perfume. Mas no estado em que me encontrava, acabei lidando de uma forma mais lúdica do que se lida com um perfume no dia a dia. 
Em algum momento, que não sei identificar, ouvi barulho de água caindo e pessoas rindo, crescendo, crescendo. Achei que fosse a música, mas aí realizei que era mesmo aquilo que estava acontecendo.
Ouvindo, parecia muita água... Quase não me molhei, acabei aproveitando mais a “brincadeira” quando me removeram a venda. Alguns bastões haviam entrado no esquema e passeavam por entre as mãos dos atores-seres-criaturas.
Depois, ligaram-se as luzes, fomos voltando à condição racional que nos é própria e cotidiana. Encerramos o encontro com um zip-zap-zoom (mais fraco do que o do primeiro encontro, mas há de se perdoar, muitas emoções para o mesmo dia...) e depois com uma música e dança chamada Toré. 

quarta-feira, 3 de março de 2010 Posted in | | 0 Comments »

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